Competência 2 – Pensamento Científico, Crítico e Criativo

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Competências da BNCC

2. Pensamento Científico, Crítico e Criativo – Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. (Fonte: BNCC)

A contribuição dessa competência para BNCC é imensa. Em primeiro lugar porque finalmente amplia as abordagens de conhecimento da escola tradicional e projeta o ensino-aprendizagem para um lugar mais amplo e complexo, para além da memorização e aplicação de conceitos e conteúdos.

Segundamente, quando falamos em pensamento crítico, damos lugar à reflexão, ao conteúdo contextualizado e às interações entre conteúdos, ciências e as situações sociais onde se desenvolvem os planos de estudos das escolas. Então, mais que entender de geografia, é importante o aluno refletir, questionar e criar a partir de seu lugar social e geográfico.
O pensamento científico não é uma prerrogativa do ensino superior. Muitos de nós só vieram a tomar contato com temas da pesquisa e testar hipóteses durante a graduação ou, pior, na pós graduação. E é muito importante situar as crianças desde pequenas nos contextos da pesquisa, da ciência, da testagem de soluções e criações, fortalecendo suas capacidades e competências, ao mesmo tempo em que se reforça o desenvolvimento das competências de autoestima e auto conceito.

Durante tantas décadas a escola básica foi lugar apenas de reprodução de conteúdos, onde as crianças e jovens repetiam os papéis tradicionais e apenas memorizavam e replicavam conceitos, sem ampliar a visão crítica e sem a possibilidade de criar e descobrir, formulando e problematizando como base para a educação mais evoluída. Era comum inclusive punir as respostas criativas, ou simplesmente anular as respostas que não estavam dentro do conjunto do esperado.

Com a nova Base Nacional e as competências no centro do processo ensino-aprendizagem, a escola se posiciona como lugar de criação, de perguntas e respostas, mas sobretudo, como lugar de questionamento e criticidade, onde o aluno sai do lugar clássico de receptor e passa o ocupar uma nova posição, de questionador criativo e crítico diante das variadas realidades do conhecimento científico e em contrapartida com as questões sociais do entorno da escola e da família. 

A conjuntura entre essas três linhas de pensamento leva a um novo patamar de educação, explorando melhor e com mais qualidade as possibilidades cognitivas dos alunos e possibilitando, através da reflexão, análise e avaliação, o desenvolvimento paralelo de competências não cognitivas, que também estão previstas nas Competências da BNCC.

Na hora em que a escola abre espaço para a criação, a criticidade e o pensamento científico, ela se torna uma fonte estimuladora do raciocínio com a finalidade de buscar soluções inovadoras e novas estratégias para as questões cotidianas ou mais complexas. Muitos autores situam essa competência no uso da curiosidade intelectual, mas ela é muito mais que isso. Ela faz o aluno se sentir CAPAZ de criar, resolver e produzir ciência.
Lembro de meu caso em particular, a minha filha com 5 anos de idade, andando pela casa com um bloquinho de anotações e um lápis. Quando eu perguntei o que ela estava fazendo, ela respondeu sem pestanejar: estou fazendo uma pesquisa. Era ali, naquele momento, que se estava formando o espírito crítico, o pensamento científico e criativo dela!
As crianças não podem esperar para saber que tem o poder de criar e criticar somente quando adultas, seria um atraso incorrigível e uma grande perda para o desenvolvimento social de cada cidade e do país. É nessa competência que nascem os pensadores, os artistas, os criadores e enfim, nasce o que somos todos, críticos e conhecedores da realidade para poder interferir nela e melhorá-la!

Afinal, dentre as principais qualidades dos brasileiros, está a criatividade, a capacidade de formular questões e resolver problemas de forma criativa e inovadora. Faz parte do nosso DNA e agora, faz parte também da Base. 

E finalmente, como disse o Nobel Herbert Simon, o significado de “saber” mudou de lembrar e repetir informações para localizá-las e aplicá-las. E é nesse contexto de novas concepções que re-localizamos o pensamento e o aprendizado.

Ana Morais
Consultora, Executiva de Educação, Professora, especialista em Competências (de verdade!)

Publicado originalmente em 07/11/2019

Publicado por Ana Morais

Mestre em Gestão do Desenvolvimento Sustentável - Formação de Pessoas pela Universidade de Pernambuco, graduada em Letras – Licenciatura plena, pós graduada em Psicologia Organizacional e do Trabalho, executiva sênior em educação, ensino superior, educação profissional, educação corporativa e K-12. Consultora, professora, escritora, palestrante, experiências em avaliação institucional e de ensino-aprendizagem, especialista em desenvolvimento de equipes de alta performance. Foi diretora estadual de educação do Senac PE e consultora/gerente de projetos em multinacionais de educação. Sólida experiência em desenvolvimento de equipes, liderança, recurso humanos, organizações educacionais e de desenvolvimento social e educação para o trabalho. Especialista em Competências.

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